A popularidade da suite orquestral "The Planets Op. 32", de Gustav Holst, não se limitou apenas à época em que foi apresentada ao grande público, ou sequer ao universo da música clássica. Outros compositores chegaram mesmo, por uma variedade de razões, a produzir música adicional para acompanhar a obra de Holst. Assim, conhecem-se hoje composições para outros astros "deserdados" por Holst (que não queria ter mais nada a ver com "The Planets", pela forma como ofuscava a sua restante obra). Plutão, descoberto quatro anos após a morte de Holst, recebeu uma suite própria ("Pluto the Renewer") pela mão do inglês Colin Matthews, em 2000. E em 2006, a Berlin Philarmonic comissionou a quatro compositores a criação de uma suite orquestral de quatro movimentos, baseados em asteróides de relevância no Sistema Solar. São eles:
Asteroid 4179: Toutatis (composição de Kaija Saaiaho)
Towards Osiris (composição de Matthias Pintscher)
Ceres (composição de Marc-Anthony Turnage)
Komarov's Fall (composição de Brett Dean)
A composição de Gustav Holst para "The Planets" foi originalmente pensada para um dueto de pianos (e um único orgão no caso do movimento de Neptuno). O movimento para o planeta Marte, nesse caso, soará assim:
Pianistas: Len Vorster & Robert Chamberlain
Talvez devido à dimensão "cósmica" do trabalho de Holst, são vários os grupos de rock progressivo que procuraram pegar em partes, ou na totalidade, da suite "The Planets" para as adaptarem à sua sonoridade exploratória. O movimento ligado a Marte, em particular, atrai este género de adaptações pelo seu ritmo poderoso e intimidante. É o caso, por exemplo, do grupo Emerson, Lake & Powell (uma outra encarnação dos bem mais conhecidos Emerson, Lake & Palmer), cujo primeiro álbum, epónimo, de 1985, inclui uma versão para "Mars, Bringer of War", também tocada pela banda durante os seus espectáculos.
Emerson, Lake & Powell - Mars, Bringer of War (1985)
Mais radical será o arranjo por parte dos King Crimson, incluído no seu segundo álbum de estúdio "In The Wake of Poseidon", de 1970. Trata-se de uma faixa construída em redor de citações de "Mars, Bringer of War", de Holst, além de outros devaneios sónicos e samples de músicas dos próprios Crimson. Por razões de copyright, a faixa foi titulada "The Devil's Triangle" e todo o crédito da composição surge atribuído a Robert Fripp, líder da banda.
King Crimson - The Devil's Triangle (1970)
Além destes exemplos, a presença do movimento de Marte em composições da música rock nos anos 60/70/80 faz-se ainda notar pelas piscadelas de olho por parte dos Led Zeppelin (Jimmy Page improvisava sobre "Mars..." durante as longas versões de "Dazed and Confused" ao vivo) e dos Black Sabbath.
Saltando de género musical, são ainda exemplo as homenagens por parte de bandas de death metal (os Nile, na faixa "Ramses, Bringer of War" do seu álbum de 1998 "Amongst the Catacombs of Nephren-Ka") e da área da electrónica/industrial (a banda eslovena Laibach, no seu álbum "NATO", de 1994).
Saltando de género musical, são ainda exemplo as homenagens por parte de bandas de death metal (os Nile, na faixa "Ramses, Bringer of War" do seu álbum de 1998 "Amongst the Catacombs of Nephren-Ka") e da área da electrónica/industrial (a banda eslovena Laibach, no seu álbum "NATO", de 1994).
Laibach - Mars on River Drina (1994)
Como nota final, deixo a sugestão do blogue "Marte Ataca!", com várias publicações relativas ao planeta vermelho.

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